Faça as contas, e não mais contas

Mesmo com a crise econômica, é possível se organizar e sair do vermelho

Marilice Daronco

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A passagem de ônibus aumentou, e os combustíveis ficaram tão caros que caminhoneiros estão realizando protestos em todo o Brasil porque consideram que o valor é impraticável. Como se não bastasse, a revisão tarifária extraordinária elevou em 39,5% a tarifa da luz na desde segunda-feira. Com o dólar em alta, algumas mercadorias também estão sofrendo um aumento que dói no bolso do consumidor. Seguindo essa linha, os juros do cartão de crédito e do cheque especial aumentaram. Por isso, por mais que você não goste de economia e torça o nariz para a possibilidade de fazer uma planilha de gastos mensais, o momento exige uma série de cuidados para as pessoas não entrarem no vermelho e ainda maiores para quem está lutando para sair dele.

– Quando não controlam as suas despesas, as pessoas deixam de levar em conta as pequenas despesas, e isso é seriíssimo, pode comprometer todo o orçamento. Costumo dizer que, em relação às finanças pessoais, existem duas regras básicas: a primeira é não gastar mais do que se ganha, e a segunda é nunca desrespeitar a primeira – alerta o educador financeiro e especialista em Finanças Pessoais Everton Lopes.

Para quem nunca foi muito adepto a planejamento, Lopes ensina um método que pode ajudar bastante. Ele classifica os cortes que precisam ser feitos até equilibrar as finanças em categorias ABCD, nas quais o A corresponde a todas as despesas com alimentação, o B aos itens básicos (pagamento de aluguel, condomínio, água, luz, telefonia e higiene pessoal), na letra C entram os gastos de caráter complementar, como TV a cabo e academia, que podem ser cortados na hora do aperto, e na categoria D entram todas as despesas dispensáveis, as primeiras que devem ser eliminadas (veja quadro abaixo).

– Muitas pessoas gastam tudo o que ganham, ou o que é pior, mais do que ganham, sem criar uma reserva para imprevistos – comenta o especialista.

Chegar ao ponto de equilibrar o orçamento, de acordo com Lopes, não é tarefa das mais fáceis e pode incluir cortes mais dolorosos, como ter de interromper por alguns meses as aulas de dança ou línguas dos filhos.

– De nada adianta querermos dar vida de príncipes e princesas aos nossos filhos, se não tivermos o tesouro do rei – brinca o economista que é coaching financeiro pela UCC (Universidade Corporativa de Coaching), economista pela UFRGS e pós-graduado em finanças pela FGV.

Para quem não consegue se segurar na hora das compras, Lopes dá uma dica um pouco mais radical:

– Se a pessoa já comprometeu as suas finanças a ponto de ficar em uma situação crítica, quando ela conseguir pagar essa dívida, vale quebrar o cartão de crédito para não cair mais na tentação de gastar mais do que ganha. O remédio pode parecer amargo, mas é eficiente.

Um apoio importante

Para quem enfrenta problemas de endividamento, uma opção é a Clínica de Finanças da Unifra. Ela é formada por estudantes e professores dos  cursos de Direito, Ciências Econômicas e Psicologia.
A clínica oferece orientações para prevenir o endividamento e mostrar à população que existem formas de negociar com os credores para saldar os débitos.
O Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon/RS), em parceria com o projeto, realiza audiências com os fornecedores para fazer o plano de recuperação do crédito do consumidor.

SERVIÇO

Clínica de Finanças
– É necessário agendar o atendimento, ligando para o curso de Economia no telefone (55) 3025-9080 ou mandar um e-mail para [email protected]
– O atendimento ocorre na Avenida Rio Branco, 639
– Mais informações: (55) 3025-9023

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